[Verse 1] Kiev acordou com o céu partindo ao meio Quatro corpos no asfalto, e o mundo olhou devagar Mísseis rasgaram o silêncio como lâminas de aço frio Mais quatro nomes apagados, engolidos pelo vazio E a Caritas atravessa a fronteira com Belarus Carregando mantas e pão para os que fogem da ferrugem da crueldade Deslocados sem endereço, sem chão, sem certeza Só a mão da Igreja segurando essa fragilidade [Chorus] Quatro anos de balanço dramático e cinzento Cada tratado, cada bomba, cada deslocamento A Europa negocia, sanciona, recua, avança Mas em Kiev ainda chove ferro onde havia esperança Este é o estado do mundo, dezoito palavras por vez Dezenove de agosto — conta os mortos outra vez [Verse 2] A França expulsou uma comentarista russa do ar A voz da propaganda não caberá mais naquele lugar Zelensky conversou com Trump sobre o interceptador Licenças para o Patriot — diplomacia com sabor amargo de negociador O Conselho Europeu, von der Leyen e Zelenskyy Assinaram uma declaração conjunta, mais um protocolo frio Enquanto Portugal e Grécia arrancaram concessões da União E as sanções à Rússia avançam, lentamente, com desdém e precisão [Verse 3] As crianças ucranianas crescem sem conhecer o silêncio real Só o silêncio entre explosões — esse intervalo tão banal Professores ensinam em porões, à luz de vela improvisada Cada lição de história escrita sobre terra bombardeada E do outro lado, soldados russos com vinte anos incompletos Mandados para uma guerra que não escolheram, sem afetos Dois povos consumidos por decisões de gabinete e poder Enquanto o mundo assiste e esquece — e volta a esquecer [Bridge] Há uma palavra que poucos conhecem: *estertorante* Aquilo que range e falha enquanto ainda resiste, agonizante Assim está esse conflito — rangendo sem colapso final Negociações, expulsões, mísseis, e um comunicado formal Zelensky descartado por alguns, heroificado por outros tantos A Revista Fórum questiona o herói entre os prantos E a Vatican News conta: quatro anos, um drama sem moldura Números que não cabem em manchetes — só na sepultura [Chorus] Quatro anos de balanço dramático e cinzento Cada tratado, cada bomba, cada deslocamento A Europa negocia, sanciona, recua, avança Mas em Kiev ainda chove ferro onde havia esperança Este é o estado do mundo, dezoito palavras por vez Dezenove de agosto — conta os mortos outra vez [Outro] Ouça bem esta data gravada no calendário mundial Dezenove de agosto — nem vitória, nem final Só a guerra que continua, pesada como granito E nós aprendemos as notícias cantando o que está escrito
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