[Verse 1] Catorze corpos caídos entre fumaça e pó Ucrânia e Rússia trocando golpe, golpe a sós Cada míssil lançado rasga o céu partido ao meio E a fronteira com Belarus guarda o desamparo alheio A Caritas caminha entre as famílias deslocadas Oferecendo pão e abrigo em regiões abandonadas Quatro anos de conflito, um balanço que dói fundo Cada número é um nome que atravessou o mundo [Chorus] Acusam uns aos outros de violar o cessar-fogo O silêncio é uma mentira disfarçada num prólogo Rússia fala, Ucrânia responde, a verdade some no eco Enquanto o povo conta mortos num cálculo bem seco [Verse 2] Zelensky assinou ao lado de Costa e von der Leyen Uma declaração conjunta, um pacto que não cede A Europa estende a mão, Washington mantém o fluxo Armas chegam pelo Atlântico num interminável nexo Mas há vozes que murmuram sobre o descarte do líder Que o poder tem suas trocas, que o aliado pode ceder A política é um labirinto de espelhos e promessas Onde heróis viram moeda entre potências e surpresas [Chorus] Acusam uns aos outros de violar o cessar-fogo O silêncio é uma mentira disfarçada num prólogo Rússia fala, Ucrânia responde, a verdade some no eco Enquanto o povo conta mortos num cálculo bem seco [Bridge] — Palavra rara: *estertorante* — que range como último suspiro — Este conflito estertorante ainda pulsa, ainda gira Não morreu, não cessou, apenas mudou de forma Cada trégua quebrada é mais uma nova tormenta que transforma [Verse 3] Do outro lado do canal, a Renault vai a julgamento O Dieselgate ressurge como sombra num parlamento Mesmo longe da trincheira, o mundo tem suas batalhas Cada escândalo descoberto corta como metralhas Mas é na Ucrânia que o peso mais gravita Onde cada manhã começa e a esperança necessita De um nome, de um acordo, de um gesto que não minta Quatro anos de cinza pedindo cores que não pintam [Chorus] Acusam uns aos outros de violar o cessar-fogo O silêncio é uma mentira disfarçada num prólogo Rússia fala, Ucrânia responde, a verdade some no eco Enquanto o povo conta mortos num cálculo bem seco [Verse 4] As crianças cresceram sem saber o que é paz completa Cada escola em ruínas carrega uma história incompleta Os refugiados atravessam fronteiras com o pouco que sobrou Uma mochila, uma foto, o nome de quem não voltou A reconstrução começa antes do fim da destruição Tijolos sobre cinzas numa frágil construção Mas o mundo assiste em telas, muda de canal depressa Enquanto alguém em Kharkiv ainda reza e não cessa [Chorus] Acusam uns aos outros de violar o cessar-fogo O silêncio é uma mentira disfarçada num prólogo Rússia fala, Ucrânia responde, a verdade some no eco Enquanto o povo conta mortos num cálculo bem seco [Outro] Vinte e oito de julho — as notícias não param O mundo gira, a guerra fica, as datas se amparam
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