[Verse 1] Kiev acorda com o céu rasgado ao meio Quatro mortos contados sob o cinza do míssil O concreto guarda o eco do estrondo E a fumaça escreve o que ninguém quer ler Zelensky fala com Trump sobre o Patriot Licenças para interceptar o que cai do céu azul As palavras cruzam o Atlântico frio Enquanto o ferro ainda queima no asfalto de Kiev [Chorus] Quatro anos de sangue nas bordas do mapa Contamos os mortos, não cabem nos dedos A Europa assina, a Caritas ampara E o mundo assiste com olhos de chumbo Quatro anos — o balanço é dramático Quatro anos — o silêncio é sismográfico [Verse 2] Na fronteira com a Belarus, na lama do inverno A Caritas-Ucrânia estende a mão aberta Deslocados carregam o que sobrou da casa Um cobertor, um nome, uma foto amassada Em Bruxelas, Costa, Von der Leyen, Zelensky Assinam palavras que precisam pesar mais que o papel A União Europeia ancora o compromisso Mas a ponte entre promessa e paz ainda pende no vácuo [Chorus] Quatro anos de sangue nas bordas do mapa Contamos os mortos, não cabem nos dedos A Europa assina, a Caritas ampara E o mundo assiste com olhos de chumbo Quatro anos — o balanço é dramático Quatro anos — o silêncio é sismográfico [Verse 3] Uma criança desenha o pai que não voltou Com giz de cera sobre o chão de um abrigo frio Os médicos operam à luz de gerador Entre apagões e gritos que o corredor absorve Mariupol ainda existe só na memória Bakhmut é só um nome que os mapas rabiscaram Mas cada rua perdida tem um rosto gravado Que nenhum tratado apaga, nenhum mapa conserta [Bridge] A França expulsa uma voz russa da tela Pequeno gesto num teatro enorme demais Um documentário vasculha borscht e sepulturas Para explicar o ódio que a história não apaga O descarte de Zelensky debatido nas revistas Enquanto ele negocia com mísseis no horizonte Cada manchete é um fragmento de espelho partido Refletindo um continente que ainda não sabe o preço [Chorus] Quatro anos de sangue nas bordas do mapa Contamos os mortos, não cabem nos dedos A Europa assina, a Caritas ampara E o mundo assiste com olhos de chumbo Quatro anos — o balanço é dramático Quatro anos — o silêncio é sismográfico [Outro] Treze de agosto — a data entra no registro Mais um dia contado entre ruínas e resistência A guerra não cabe em verso nem em cifra Mas a memória existe para que a omissão não vença [Chorus Final] Quatro anos de sangue nas bordas do mapa Contamos os mortos, não cabem nos dedos A Europa assina, a Caritas ampara E o mundo assiste com olhos de chumbo Quatro anos — o balanço é dramático Quatro anos — o silêncio é sismográfico
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