[Verse 1] Mísseis rasgam o céu sobre Kiev ao amanhecer Quatro vidas ceifadas antes mesmo de nascer o dia O concreto guarda os nomes que ninguém quer esquecer Cada rua destruída carrega uma elegia A Caritas espera nas fronteiras da Belarus Com cobertores e pão, oferece o que pode dar Deslocados sem teto, sem raiz, sem algum fuso Mas há mãos que ainda insistem em amparo não largar [Chorus] Quatro anos contados em mortos e em dor A Europa calcula, a diplomacia demora Sanções avançam — Portugal, Grécia cederam Mas o fogo não espera pela burocracia da aurora Kiev resiste, o mundo delibera E o borscht misturado ao sangue nas valas perdura [Verse 2] Zelensky conversa com Trump sobre o Patriot Licenças para interceptar o que vem do leste escuro Um documentário escava o elo mais simbólico Entre Moscou e Kiev — a sopa, o túmulo, o futuro França expulsa uma voz russa de seus estúdios O discurso como arma é mais antigo que o canhão Cada palavra transmitida tem seus próprios prelúdios Cada silêncio imposto carrega sua própria prisão [Chorus] Quatro anos contados em mortos e em dor A Europa calcula, a diplomacia demora Sanções avançam — Portugal, Grécia cederam Mas o fogo não espera pela burocracia da aurora Kiev resiste, o mundo delibera E o borscht misturado ao sangue nas valas perdura [Verse 3] Uma criança desenha tanques no caderno escolar Sem saber que o lápis é tudo que lhe resta de infância O professor ensina em porão para não arriscar A educação resiste onde não cabe mais a distância Refugiados em Lisboa aprendem outro sotaque Carregam o idioma como última pertença intacta Entre dois mundos suspensos, nenhum trégua os satisfaz Mas a memória do Dnieper em cada verso ainda impacta [Bridge] Dizem que Zelensky foi descartado como peça Que os aliados pesam custo antes de pesarem a promessa Mas nos campos ao norte, nos hospitais sem luz Quem carrega o inverno não espera pelo consenso em Bruxelas A história não se escreve só nas salas de poder Ela vive nos deslocados que ainda tentam sobreviver [Chorus] Quatro anos contados em mortos e em dor A Europa calcula, a diplomacia demora Sanções avançam — Portugal, Grécia cederam Mas o fogo não espera pela burocracia da aurora Kiev resiste, o mundo delibera E o borscht misturado ao sangue nas valas perdura [Outro] Quinze de agosto — anota, não esquece A guerra não pausa enquanto o mundo aparece Quatro mortos em Kiev, quatro mil histórias enterradas Notícias de hoje, amanhã esquecidas — mas gravadas
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